
Ora bem!
Há uns dias atrás tentei dar uma de intelectual e sentei-me numa esplanada de um café a ler um dos jornais da região (Madeira) tendo, na mesa ao lado, a companhia de uma senhora de idade que emborcava uma imperial e comia amendoins.
Enquanto eu folheava aquela peça jornalistica, deparei-me com uma notícia que me chamou à atenção.
Vamos lá ver o que dizia a noticia:
"Um cidadão estrangeiro foi ontem de madrugada vítima de uma queda “espectacular”, numa unidade hoteleira da Estrada Monumental, quando pretendia sair da residência pela janela através de lençóis amarrados uns aos outros. Só que, desta feita, o homem, de 45 anos, acabou por cair no telhado de um vizinho e sair com algumas mazelas desta “proeza”. Foi socorrido e encaminhado para o hospital."
Ora bem, se bem entendi, este/a jornalista escreve e entende que uma queda é "espectacular" e defeniu-a como sendo uma "proeza".
Dasssssssssssssssss! Olha se a moda pega?
Já estou mesmo a ver. Morrem 60 ou 70 pessoas num acidente numa das estradas da Madeira e o jornalista descreve o acidente como algo de espectacular e maravilhoso pois durante esta proeza apenas não ficaram vivas 60 ou 70 pessoas. Um furacão mata centenas de pessoas no Pacifico mas não há motivo para se entrar em pânico porque os acidentes naturais são algo de espectacular que comete a proeza de por termo a vidas e causar imensos danos materiais. Espectacular, não é?
Fui ao dicionário da Porto Editora verificar o significado de espectacular:
espectacular:
- adjectivo uniforme;
- que dá muito nas vistas; grandioso; ostentoso; espaventoso;
- coloquial excelente; muito bom; magnífico;
- popular escandaloso;
(Do fr. spectaculaire, «id
"- Ah e tal, o fulano estrangeiro deu uma queda que deu muito nas vistas.
- Aquele acidente foi grandioso
- Não, eu acho que foi ostentoso e espaventoso.
- Vai-me permitir discordar de si caro amigo mas o modo como ele deu com o
costelado no telhado do vizinho foi algo de muito bom, quiçá magnifico.
- Sim e também um pouco escandaloso, não acha?"
Como diria o Berardo e o seu mini caixotinho "FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFuck You".
O que fica desta pérola do jornalismo?
Eu respondo. O cidadão estrangeiro era estúpido como o raio que o há-de partir porque todas as casas, apartamentos, vivendas, etc… têm portas e ninguém no seu perfeito juízo entra e sai das suas casas pela janela, a não ser que pretenda praticar o acto do furto.